
O ministro Cristiano Zanin, do Supremo Tribunal Federal (STF), negou retirar a tornozeleira eletrônica de cinco investigados na Operação Sisamnes, que apura um suposto esquema de venda de decisões judiciais no Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJ-MT) e no Superior Tribunal de Justiça (STJ).
As decisões foram publicadas nesta sexta-feira (28) e atingem a advogada Mirian Ribeiro Gonçalves, esposa e sócia do lobista Andreson de Oliveira Gonçalves; os empresários Valdoir Slapak e Haroldo Augusto Filho, sócios do Grupo Fource; e os também advogados e ex-assessores do ex-desembargador Sebastião de Moraes, Rodrigo Vechiato Silveira e Rafael Macedo Martins.
Os cinco pediram ao STF a extensão da decisão que beneficiou o advogado Flaviano Taques. Na segunda-feira (24), Zanin retirou a tornozeleira de Flaviano após reconhecer excesso de prazo na manutenção da medida, determinada em novembro de 2024.
Ao analisar os novos pedidos, porém, o ministro afirmou que a decisão concedida a Flaviano não pode ser aplicada automaticamente aos demais investigados, uma vez que a situação processual de cada um precisa ser examinada individualmente.
Entre os argumentos apresentados pelas defesas estão o excesso de prazo do monitoramento, o encerramento da instrução e a alegação de que os investigados já não teriam condições de interferir no andamento das apurações.
Zanin destacou ainda que os pedidos para retirada das tornozeleiras ainda não foram analisados pelo colegiado competente do Superior Tribunal de Justiça (STJ). Segundo ele, uma decisão do STF neste momento configuraria supressão de instância.
“Compreendo, portanto, que, embora a decisão que originariamente impôs o monitoramento eletrônico tenha alcançado indistintamente os investigados, as circunstâncias supervenientes relevantes para a reavaliação da necessidade da medida cautelar não são necessariamente comuns a todos eles”, escreveu o ministro em uma das decisão.
“Não se verifica, assim, a necessária identidade fático-jurídica entre a situação do paciente beneficiado e a da ora requerente, circunstância que, somada à ausência de prévio exame da pretensão pelo órgão colegiado competente do STJ, impede a extensão pretendida com fundamento no art. 580 do Código de Processo Penal”, acrescentou.
Deflagrada em novembro de 2024, a Operação Sisamnes surgiu a partir das investigações sobre o assassinato de Roberto Zampieri, ocorrido em dezembro de 2023, em Cuiabá.
A análise do celular do advogado revelou conversas com o lobista Andreson de Oliveira Gonçalves que, segundo a PF, levantaram indícios de um esquema milionário de negociação de decisões judiciais. Andreson cumpre prisão domiciliar.
Desde então, a investigação avançou sobre integrantes do Judiciário, entre eles o ex-desembargador Sebastião de Moraes, empresários e outros agentes.
Acusações
Mirian Ribeiro Gonçalves é esposa e sócia de Andreson, apontado como um dos principais articuladores do suposto esquema. Conforme a investigação, empresas ligadas ao casal teriam sido utilizadas para movimentar recursos provenientes das negociações ilícitas.
A advogada também é acusada de atuar em processos nos quais as decisões seriam negociadas. No caso dela, Zanin ressaltou ainda que já existe denúncia formalizada em ação separada e que o pedido de retirada da tornozeleira também não foi analisado pelo colegiado do STJ.
Os empresários Valdoir Slapak e Haroldo Augusto Filho também permanecerão monitorados. Ambos são sócios do Grupo Fource, cuja atuação foi classificada pela Polícia Federal, em relatório de outubro de 2025, como um dos pilares financeiros do suposto esquema.
As investigações apontaram uma série de movimentações entre integrantes do grupo, Zampieri e empresas ligadas a Andreson.
Em 2020, por exemplo, Zampieri recebeu R$ 1 milhão da Fource em uma única transferência. No dia seguinte, segundo a PF, ele repassou o mesmo valor à Florais Transportes Eireli, empresa ligada a Andreson.
Ainda conforme os investigadores, o fundo Afare, ligado à Fource, teria transferido R$ 7,5 milhões diretamente a Zampieri. Entre 2020 e 2022, outros R$ 1,5 milhão teriam saído diretamente da Fource para o escritório do advogado.
A conta pessoal de Valdoir também teria sido utilizada para transferir mais de R$ 2 milhões a Zampieri. A PF identificou ainda outros repasses feitos pela Global Trade Investimentos, empresa do grupo.
Já Rodrigo Vechiato e Rafael Macedo Martins são investigados por supostamente atuarem como intermediários entre o gabinete do desembargador Sebastião de Moraes e o advogado Roberto Zampieri. Os dois eram assessores do magistrado quando a operação foi deflagrada, em 2024.
Fonte: Mídia News












