
É com indignação que escrevo estas palavras. Indignação por ver a profissão mais essencial para o futuro de um país ser tratada com tamanho descaso. O professor, que deveria ser pilar da sociedade, foi reduzido a mero cuidador de crianças e adolescentes. Em vez de ser respeitado como formador de mentes, é tratado como babá de uma geração que, muitas vezes, sequer reconhece sua autoridade em sala de aula.
As gestões públicas, uma após a outra, seguem empurrando a educação para o fim da fila. Os repasses de verbas são sempre os últimos, os investimentos são mínimos, e as promessas, vazias. Enquanto isso, o professor luta com canetão, as vezes giz, quadro e alma para manter viva a chama do conhecimento. Mas como manter essa chama acesa quando o Estado e o Governo Federal insiste em apagar a luz?
A substituição do método tradicional de ensino — aquele que exigia raciocínio, leitura crítica, esforço e disciplina — por uma avalanche de plataformas digitais e metodologias “modernas” tem criado uma geração de alunos com preguiça mental. A tecnologia, que poderia ser aliada, virou muleta. Em vez de enriquecer o aprendizado, tem empobrecido o pensamento. O imediatismo das telas substituiu o prazer da descoberta, e o clique fácil tomou o lugar da reflexão profunda.
E o professor? Esse segue sendo cobrado por resultados, pressionado por metas, mas sem estrutura, sem apoio, sem voz. Sua autoridade foi arrancada, sua palavra desvalorizada. Hoje, ele precisa pedir licença para ensinar, medir cada frase, temer cada repreensão. A sala de aula, que deveria ser espaço de respeito e construção, virou campo de batalha contra o desinteresse, a indisciplina e o abandono institucional.
Minha revolta não é só minha. É o grito sufocado de milhares de educadores que, mesmo feridos, seguem em frente. Mas até quando vamos aceitar que a educação seja tratada como gasto e não como investimento? Até quando vamos permitir que o professor seja invisível?
Chega. A educação precisa voltar a ser prioridade. O professor precisa voltar a ser mestre — e não apenas mais um sobrevivente do sistema.















