
Uma investigação da Polícia Federal identificou movimentações financeiras de R$ 75,8 milhões consideradas suspeitas envolvendo pessoas e empresas relacionadas ao Tribunal de Contas de Mato Grosso (TCE-MT). Os registros, referentes ao período entre janeiro e outubro de 2025, fazem parte das apurações da Operação Tomada de Contas, deflagrada na quinta-feira (29).
Entre os elementos analisados pelos investigadores estão transferências bancárias que não apareciam nos registros convencionais de remuneração do tribunal. Segundo a decisão do Superior Tribunal de Justiça (STJ), os pagamentos eram realizados por meio de operações financeiras separadas da folha salarial, utilizando mecanismos normalmente empregados para quitar despesas com fornecedores.
O levantamento aponta que 292 pessoas físicas receberam valores por meio dessas operações. Um dos dados que chamou a atenção dos investigadores foi o volume de recursos destinado aos integrantes da Corte. Em menos de dez meses, sete conselheiros teriam recebido, juntos, aproximadamente R$ 48,4 milhões.
A situação também foi identificada nas contas do presidente do TCE-MT, Sérgio Ricardo de Almeida. Os registros oficiais indicavam cerca de R$ 288 mil em remuneração no período examinado, mas os extratos bancários analisados pela PF apontaram entradas superiores a R$ 15,4 milhões.
Outro nome citado é o do consultor jurídico-geral Grhegory Paiva Pires Moreira Maia, para quem foram identificados R$ 32,3 milhões em pagamentos. O conselheiro Guilherme Maluf aparece com aproximadamente R$ 10,6 milhões, enquanto o advogado Gustavo Fernandes da Silva teria recebido R$ 15,9 milhões.
Além da origem e do destino dos recursos, os investigadores procuram esclarecer a relação entre os pagamentos e contratos mantidos pelo tribunal. A suspeita é de que empresas prestadoras de serviços tenham sido favorecidas e, posteriormente, obrigadas a devolver parte dos valores recebidos a pessoas ligadas à cúpula da instituição.
A decisão judicial também menciona pagamentos que teriam continuado mesmo após determinações administrativas para suspender contratos. Entre as situações examinadas está um aditivo contratual de R$ 20 milhões, considerado um dos elementos relevantes para a apuração de possível desvio de recursos.
As investigações envolvem suspeitas de corrupção, peculato, lavagem de dinheiro, falsidade em sistemas de informação e organização criminosa. A operação resultou na prisão de seis pessoas, incluindo Sérgio Ricardo, além do afastamento dos conselheiros Guilherme Maluf e Alisson Alencar.













