
A participação da Bipar, empresa ligada ao governador de Mato Grosso, Mauro Mendes (União), e à primeira-dama Virgínia Mendes, na construção do Hospital Central, em Cuiabá, tem levantado questionamentos sobre a transparência na execução da obra, orçada em mais de R$ 541 milhões. O projeto é conduzido pelo Consórcio LC, formado pelas construtoras Lotufo e Concremax.
Documentos técnicos indicam que a Bipar foi responsável pelo projeto da estrutura metálica do hospital. Um registro de março de 2021, assinado por um engenheiro, aponta a empresa como autora do projeto estrutural, evidenciando sua participação direta na elaboração técnica de parte da obra.
Apesar disso, não há detalhamento oficial sobre os valores pagos à empresa. Informações extraoficiais sugerem que a Bipar pode ter recebido mais de R$ 10 milhões, por meio de repasses indiretos feitos pelo consórcio responsável pela execução, o que dificulta o rastreamento público dos recursos.

Registros financeiros do processo de recuperação judicial da Bipar confirmam ao menos parte da relação comercial, com o recebimento de R$ 6,9 mil em maio de 2023, referente a serviços de estrutura metálica. A ausência de informações completas levou ao acionamento da Controladoria-Geral do Estado, via Lei de Acesso à Informação, mas até o momento não houve resposta oficial.
Embora a contratação por consórcios seja permitida em obras de grande porte, a falta de transparência sobre subcontratações e repasses, especialmente envolvendo empresas ligadas a agentes políticos, dificulta o controle social. Considerado uma das principais obras da saúde no estado, o Hospital Central segue cercado de incertezas quanto à execução financeira do projeto.


Fonte: Sinop Urgente














