
Um guia ilustrado para identificação de borboletas do Parque Florestal está em fase de elaboração através de um projeto de iniciação científica na Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT) Campus Sinop. A pesquisa é desenvolvida pela acadêmica de Zootecnia, Maria Elena Balbino da Silva, sob orientação do professor Milton Omar Cordova Neyra, e prevê o lançamento de uma versão preliminar do guia até agosto.
Vinculado ao Programa Institucional de Bolsas de Iniciação Científica (PIBIC) por meio da Pró-reitoria de Pesquisa (Propesq), a proposta surgiu do interesse da acadêmica em conhecer, de forma didática e visual, a diversidade de lepidópteros (borboletas e mariposas) da região, com foco no Parque Florestal de Sinop, área de conservação ecológica aberta ao público e próxima à sua residência. “Borboletas sempre foram minha paixão desde pequena e poder trabalhar com elas atualmente é como realizar uma aspiração de grande carinho”.
O projeto tem como objetivo contribuir para o conhecimento e a identificação das borboletas no Parque, valorizando a biodiversidade local e aproximando a população da ciência. Segundo a acadêmica, o guia foi pensado para atender jovens e pesquisadores interessados em conhecer melhor a fauna do parque, mas com um formato acessível também para turistas, visitantes, estudantes, professores e público em geral. “Quem não gostaria de saber qual era aquela borboleta colorida que encontrou na trilha?”.
Como parte das ações para construção do guia, é desenvolvido o projeto “Procura-se borboletas do Parque Florestal de Sinop”, proposto para a Semana Nacional da Biodiversidade 2026, com apoio da professora e pesquisadora Liliane Matos. A iniciativa utiliza a ciência cidadã para ampliar o registro de espécies, envolvendo moradores do entorno e frequentadores do parque.
O projeto distribui panfletos com um QR code que direciona para a plataforma iNaturalist, onde qualquer pessoa pode cadastrar fotos de seres vivos observados no dia a dia. Os materiais foram entregues no Parque Florestal e em residências próximas, convidando os moradores a registrarem as espécies de borboletas encontradas. Para quem não se sente à vontade em usar o aplicativo, há a opção de enviar as fotos para um número de contato disponibilizado no panfleto, onde a própria estudante faz o atendimento e orienta os participantes.
Além dos panfletos, a divulgação também ocorre pelo Instagram e por meio de um banner instalado no Parque Florestal, ampliando o alcance das ações. Até o momento, o projeto contabiliza 29 registros de borboletas na plataforma iNaturalist, resultado da participação da comunidade e das atividades de campo realizadas durante o evento no parque, que incluíram exploração das trilhas e áreas próximas para fotografia dos espécimes.
O trabalho de campo para construção do guia também tem apresentado desafios, especialmente em função das condições climáticas e da dinâmica da fauna local. De acordo com Maria Elena, as intensas chuvas recentes e a interferência de macacos-prego nas armadilhas afetaram diretamente o sucesso de captura e registro de borboletas. Essas situações exigiram adaptação do planejamento e maior paciência no acompanhamento dos ciclos naturais.
As atividades integram a formação acadêmica e evidenciam o papel da iniciação científica no desenvolvimento do pensamento crítico, da autonomia e da experiência prática em pesquisa. Ao transformar dados científicos em um material ilustrado e acessível, o projeto contribui para a educação científica e ambiental, aproximando universidade e sociedade.
Atualmente, o guia ilustrado encontra-se em versão de teste, ainda em processo de revisão e ajustes de conteúdo e design. A previsão é que a versão inicial seja disponibilizada entre julho e agosto, em formato acessível ao público.
O material combina uma linguagem clara com elementos visuais coloridos, buscando tornar a identificação das espécies mais intuitiva. A ideia é que o guia possa ser utilizado em atividades educativas, visitas guiadas, pesquisas introdutórias e ações de extensão, reforçando o conhecimento sobre a fauna local e estimulando a observação da natureza no cotidiano.
Com foco na biodiversidade do Parque Florestal de Sinop e na participação ativa da comunidade, o projeto fortalece a sensibilização ambiental e difunde o entendimento de que a Amazônia e seus ecossistemas estão mais próximos do que muitas vezes se imagina, inclusive dentro da própria cidade.

Fonte: Alexsandro Fama – Assessoria UFMT













